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Arlene
Miranda Jornalista e escritora
Membro da Academia Maceioense de Letras
arlenemiranda2008@gmail.com
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.....................................
.........................................................SOLIDÃO
URBANA
...........................As
ruas lotadas, um vai-e-vem de pessoas aflitas,
anseios espalhados por todos os cantos, a maioria
delas em busca de realização. Cada
dia é mais notório o aumento de
pessoas que moram sozinhas. A solidão urbana
é um fenômeno que cresce no nosso
cotidiano. A estrutura social pode ser um fator
gerador desse fenômeno, levando pessoas
a se isolarem, reclusas em suas próprias
solidões. A substituição
das relações sociais fora de casa,
a dificuldade de se construir relações
na sociedade moderna, talvez seja devido à
fragilidade humana, levando o homem a pensar na
problemática que pode ser a causa de certos
indivíduos cada vez mais se isolarem do
mundo exterior; de uma sociedade que o assusta
e com a qual não se identifica. Suas deficiências
são múltiplas e o levam ao isolamento
devido à dificuldade que tem de comunicar-se.
...........................Há
que se considerar o vácuo que se estabeleceu
entre a sociedade moderna e o indivíduo.
Faz-se necessário dar-se atenção
aos consequentes fenômenos desse comportamento
dentro da atual sociedade urbana.
...........................Um
ponto importante a considerar é que a vida
moderna e a individualização são
características essenciais às grandes
metrópoles, onde as coisas fluem rapidamente,
em que as pessoas estão sempre apressadas
e preocupadas com seus inúmeros problemas.
Essa visão da vida dos grandes centros
urbanos acaba dificultando o estabelecimento de
relações sociais frequentes. Cada
qual com seus problemas, geralmente não
têm tempo de participar dos problemas dos
outros, É a vida moderna que corre célere,
matando o sentimento de sociedade e urbanidade,
tornando o homem egoísta, egocêntrico,
no afã de alcançar suas realizações.
É a busca da estabilidade, é a conquista
dos ideais, é o temor de fracasso profissional.
Na sociedade capitalista, o trabalho torna-se
o ponto principal na vida das pessoas, diminuindo
as relações sociais e, com isso,
a sensação de solidão. Hoje,
na cidade grande, não se tem tempo nem
para conhecer o lugar onde se vive, nem o vizinho
do lado, fenômeno que não afeta os
centros menores, onde o homem ainda consegue se
comunicar com os outros e fazer amigos.
...........................Diante
desse quadro, faz-se necessário buscar
novos valores que deem significado à vida
e à relação com o mundo.
Essa forma de sociedade, na qual estamos inseridos,
pode aguçar a personalidade do indivíduo
e o afastar do contato social. Se uma pessoa se
sente só não é porque ela
escolheu se isolar, mas porque a sociedade não
lhe dá mecanismo para ela se integrar socialmente.
...........................Quantos
rostos cruzam conosco na multidão, dando
a impressão de que perderam o encanto pelo
que está à sua volta. É como
se a “vida desencantada” e a exacerbação
do cotidiano, da vida racionalizada, causem-lhes
um vazio, já que, em tempos passados, a
magia de viver era quem movia esses valores e
proporcionava “encantamento ao mundo”.
Isso talvez explique porque a solidão do
homem atual seja o maior desafio dos grandes centros
urbanos. Cadê as cadeiras nas calçadas,
promovendo o papo cordial de vizinhos, mais amigos
que vizinhos? Cadê a solidariedade entre
eles? Antigamente, as pessoas destacavam essa
necessidade para viver em sociedade; hoje, as
pessoas se afastam e impõem restrições
aos relacionamentos, como se ninguém –
ou quase – merecesse confiança. Isso
gera um vazio enorme, já que são
as motivações individuais que fortalecem
os bons relacionamentos.
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..........................................
........................................O
ENCANTO DAS LIVRARIAS DE OUTRORA
.......................Outro
dia, passando por uma das pouquíssimas
livrarias, ainda existentes em Maceió,
senti falta das livrarias de outrora. Vieram-me
à lembrança a José de Alencar
e a Machado, situadas na Rua do Comércio
que, nas décadas de 50 e 60 viveram o seu
apogeu. A José de Alencar ficava no trecho
principal da Rua do Comércio, perto do
Relógio Oficial, local privilegiado, ocupado
também pelo Bar Helvética e o Bar
Colombo, onde costumavam se reunir, todas as tardes,
os escritores Graciliano Ramos, fumando o seu
inseparável cigarro Selma, ponta de cortiça,
Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima,
José Lins do Rego, Santa Rosa e outros
intelectuais que já começavam a
despontar no cenário literário nacional.
.......................Com
uma ponta de nostalgia, fiquei a pensar naquele
tipo de livraria que já não existe
hoje em Maceió – estabelecimento
em que era possível encontrar coisas agradáveis,
tanto livros como gente, o que significa cultura
e inteligência: o professor e o aluno, o
romancista e o poeta, o erudito e o curioso, atrás
de uma novidade. Aquelas livrarias dos anos 50
e 60 conservavam uma atmosfera de remota tradição
cultural dos salões literários.
Não eram, apenas, uma loja para vender
livros. Eram um ponto de encontro para o bate-papo,
a troca de idéias e “fuxicos”.
.......................Livrarias
como as de outrora deveriam constar de livros
de memórias. Elas faziam parte da vida
cultural de uma cidade, de um país. No
caso de Maceió, as livrarias deveriam ter
uma história inseparável da própria
história de nossas letras. Como exemplo
notório, bastaria evocar os maiores escritores
daquelas décadas, que faziam ponto na José
de Alencar para o bate-papo costumeiro, cercados
pelos velhos amigos e pelos admiradores. Nela
se encontravam livros, amigos e amigos dos livros.
Essas livrarias tinham uma missão especial:
estimular o vício da leitura e contribuir
para a definitiva dependência desse objeto
sagrado que é o livro.
.......................A
Livraria José de Alencar está ligada
às minhas reminiscências por ser
um lugar onde se encontravam todos os tipos de
livros e onde se respirava cultura, tendo à
frente, atendendo aos fregueses, com distinção
e cordialidade, o simpático Aurino, antigo
funcionário da casa, motivando a todos
a frequentarem o estabelecimento.
.......................Quando
publiquei a primeira edição do meu
romance, A Hora Presente, em 1966, eu deixava
os exemplares na José de Alencar, sob a
responsabilidade do Aurino de vendê-los.
Em poucos dias, esgotavam-se todos os livros,
e o gentil vendedor me solicitava mais volumes
para suprir o estoque. Assim, a edição
esgotou-se em um mês. Aurino teve a feliz
idéia de colocar sobre o balcão,
no primeiro plano, uma charge feita por meu amigo
e colega da Gazeta de Alagoas, o chargista Nunes,
desenhada em cartolina, na qual se via um comprador
dirigindo-se ao vendedor: “O senhor tem
livros usados?” Ao que o vendedor respondia:
“Não. Mas temos este aqui muito ousado”.
Mais do que isso, porém, o que o Aurino
fez para promover o sucesso de vendagem do meu
livro foi incentivar o leitor a adquiri-lo, com
o seu jeito afável e cordial. Assim, eu
voltei para o Rio de Janeiro quase sem livros,
mas com a certeza de que a simpatia é a
alma do negócio.
.......................Hoje,
infelizmente, as poucas livrarias que temos não
possuem o encanto das de outrora, com ambiente
frio e impessoal, sem darem o devido valor aos
escritores da terra, o que é lamentável.
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......................................................ESSAS
CRIANÇAS DE HOJE
.......................O
que está acontecendo
com as crianças de hoje? Precocidade ou
envelhecimento rápido? É impressionante
como as crianças atuais são desinibidas
e determinadas, com vontade própria, com
atitudes que jamais imaginávamos ver um
dia. Abisma-me observar o quanto elas são
sabidas e atualizadas, opinando sobre o que acontece
à sua volta, com posicionamentos definidos.
Hoje, decidem o que vão vestir, escolhem
o presente que querem ganhar no aniversário
e no Natal, discutem suas preferências como
gente grande e se intrometem nos assuntos dos
adultos.
.......................Outro
dia, deparei-me com uma menininha de seus 6 anos.
Chamou-me a atenção a maneira como
estava vestida: uma saia jeans, curtíssima
e – o que mais me impressionou – uma
sandália alta, de plataforma, dessas que
as mulheres usam para sustentar seu gracioso caminhar.
Andando em cima daqueles saltos, a garotinha mal
conseguia se equilibrar. Seus cabelos soltos também
me assustaram por sua cor vermelha, acaju, incomum
para uma criança daquela idade.
.......................Diante
da figurinha que tentava andar faceira como uma
adulta, eu, ingenuamente, fiz esta reflexão:
como pode uma mãe permitir um absurdo desse?
Na verdade, com tão pouca idade a criança
não tem formação em sua anatomia
para usar uma sandália daquela altura,
o que pode prejudicar seus ovários em desenvolvimento.
Mas como fui ingênua em minhas considerações!
Desde quando, hoje em dia, os pais exercem autoridade
sobre os filhos? Há exceções,
é claro, mas são poucos os pais
que conseguem impor sua autoridade sobre os pequenos.
A maioria deixa-se dominar por eles, não
sei se por comodismo, por fraqueza ou falta de
autoridade mesmo.
.......................Um
dia desses, outra cena me deixou perplexa: foi
quando uma mãe falava ao telefone com uma
amiga e, em determinado momento, o filho, aos
gritos, mandou que ela calasse a boca e desligasse
o telefone, o que ela obedeceu sem nenhuma reprimenda.
Diante daquele absurdo, fiquei a pensar: é
devido a coisas como esta que as crianças
de hoje são tão indisciplinadas.
Não há freios para elas. Elas podem
tudo.
.......................Apesar
de estranhar um pouco as mudanças no comportamento
infantil, penso que talvez haja nisso um lado
positivo: as crianças evoluem e aprendem
a andar com as próprias pernas, desinibem-se
e passam a ser determinadas. Isso também
concorre para desenvolver sua personalidade, embora
a educação vá para o brejo.
O que é preciso é não deixar
que elas nos dominem e que expandam sua rebeldia
de maneira desenfreada.
.......................Eu,
particularmente, acho as crianças um encanto,
só não aceito a educação
que lhes vem sendo dada pelos adultos (familiares
e educadores), transformando-as em “aborrecentes”
no futuro.
.......................Há,
no entanto, muitas coisas salutares praticadas
por essas crianças precoces. Por exemplo,
as opiniões que emitem sobre coisas do
dia-a-dia, os posicionamentos que assumem no seu
cotidiano, suas “tiradas” sensacionais,
são encantamentos que as tornam tão
especiais e admiráveis. Essas crianças
provam que não há código
natural para medir suas relações
com o mundo, de tal maneira que há que
se encontrar, em cada caso, a maneira de mediar
o resultado de seu caráter mítico.
É aí que dou vivas a essas crianças
maravilhosas, entre as quais incluo meus sobrinhos,
tão vivos, tão inteligentes, tão
auto-suficientes, determinando o que devem ou
não devem fazer. Mas que eu amo muito,
apesar de tudo. Eles são encantadores!
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..................................................
.........................................................A
LEI E A SOCIEDADE
....................Há
muito sabemos do abismo que existe entre a lei
e a sociedade em nosso país. Sempre foi
dito que no Brasil as leis não funcionam
por serem idéias fora do lugar. Não
concordo com esta afirmação quando
se trata de questões morais em que a lei
brasileira é retrógrada face à
nossa realidade. Vejamos o caso do Código
Penal Brasileiro, por exemplo, que há muito
já deveria ter sofrido mudanças,
embora muito se tenha discutido sobre isso. A
discussão se concentra na necessidade de
se rever vários itens já ultrapassados
e maleáveis com relação a
alguns tipos de delitos.
....................No
Brasil, numa velocidade igual à diversificação
da conduta humana, a lei deve acompanhar a dinâmica
social, regulando grande parte das relações
entre as pessoas ou entre elas e o Estado. Daí,
a necessidade de se atualizar os Códigos
Civil e Penal.
....................Juristas,
magistrados, sociedade civil organizada e principalmente
políticos precisam proceder a mudanças
profundas e urgentes no Código de Processo
Penal, que foi revisto na década de 40,
e acabar com privilégios de réus,
beneficiados pelas brechas da lei que permitem
que criminosos confessos possam cumprir um terço
da pena ou que, favorecidos por habeas corpus,
esperem julgamento em liberdade. Outro item difícil
de aceitar é o de um criminoso, por ser
primário e ter residência fixa poder
gozar de certos privilégios. Ora, o fato
de alguém matar pela primeira vez não
o exime de culpa. Pelo fato de ser a primeira
vez, não deixa de ser crime.
....................Reportando-nos
à revoltante impunidade existente no país,
temos, por exemplo, o caso da advogada Mércia
Nakashima, morta barbaramente, sendo o maior suspeito
do crime o também advogado Mizael Bispo,
ex-namorado da vítima, cujas evidências
o apontam como o principal suspeito e continua
solto, rindo na cara da sociedade. Sem falar no
caso da jornalista Sandra Gomide, covardemente
assassinada pelo ex-namorado, o também
jornalista Pimenta Neves, que até hoje
se encontra em liberdade sem nunca ter sofrido
nenhuma penalidade. Não há nada
que justifique um absurdo desse.
....................A
impunidade no Brasil tornou-se revoltante e insuportável.
São muitos os casos em que assassinos confessos
de crimes hediondos, defendidos por advogados
competentes e inescrupulosos, se beneficiam de
habeas corpus e vão aguardar o julgamento
em liberdade, privilegiados pelas brechas na lei
existentes no nosso capenga Código Penal.
....................É
inaceitável, por exemplo, a modificação
do artigo 12 do projeto de reformulação
de parte do Código Penal que pretende modificar
parte importante da Lei de Crimes Hediondos referente
ao abrandamento das penas para criminosos de grande
periculosidade. Segundo este artigo, ficaria anulada
a obrigatoriedade do cumprimento de pena em regime
fechado, em casos de crimes graves, previstos
na lei, o que beneficiaria os infratores. Onde
está a concepção de justiça
de quem propõe esta reformulação
absurda? Não bastam as brechas da lei já
estabelecidas? Isso é inconcebível.
....................No
Brasil, raramente se é condenado a cumprir
pena até o final da sentença, pois
há a tal Progressão de Pena que
beneficia o criminoso.
Outra coisa revoltante é alguém
que, dirigindo bêbado, atropela e mata e,
após pagamento de multa, sai livre, pronto
para voltar a matar.
Está na hora de se mudar este panorama,
votando as mudanças que se fazem necessárias
no nosso Código Penal. É o que o
Brasil espera com justiça.
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..............................................jpg)
....................................................O
QUE LEVOU TIRIRICA À VITÓRIA
.......................Nos
anos 90, Tiririca converteu-se numa celebridade
da TV ao encarnar um palhaço muito engraçado
que cantava: “Florentina” e arrancava
gargalhadas pelo Brasil afora. Este ano, o humorista
resolveu entrar para a política, candidatando-se
a deputado federal, incomodando muita gente que
logo se manifestou contra a sua candidatura. Tiririca,
porém, fez ouvidos moucos e levou adiante
a campanha, vestido de palhaço, apresentando-se
aos brasileiros como o candidato “abestado”,
com o slogan: “Vote em Tiririca, pior do
que tá não fica”. No programa
eleitoral, ele pedia: “Votem em mim, porque
eu quero ser deputado federal para ajudar os mais
“necessitado”, inclusive minha família”.
A estratégia valeu a Tiririca, ou melhor,
a Francisco Everardo Oliveira Silva (seu verdadeiro
nome) uma vitória esmagadora, com 1.353.820
votos, sendo o deputado federal mais votado, não
só de São Paulo, mas de todo os
estados da federação brasileira.
.......................A
explicação para a vitória
retumbante de Tiririca nada mais é –
me parece – do que um protesto de boa parte
do eleitorado brasileiro contra a corrupção
vergonhosa que se instalou no Congresso Nacional,
após tantos escândalos e impunidades
que consagraram políticos inescrupulosos
da Câmara e do Senado federais. Não
apoio a votação de candidatos que
não estejam aptos para exercer os mandatos
a eles conferidos, mas a verdade é que
o povo não suporta mais tanta bandalheira.
A revolta vem corroendo, há anos, o brio
patriótico dos brasileiros que se sentem
impotentes e achincalhados em sua dignidade. Ao
considerar o congresso um circo, nada mais natural
do que eleger um palhaço para fazer parte
de suas fileiras. A eleição de Tiririca
é o retrato do sentimento de descaso que
o Congresso Nacional galgou em nossa sociedade
após anos de descalabros praticados por
maus políticos deste país.
.......................Diante
da vitória de Tiririca, o promotor Maurício
Antônio Ribeiro Lopes, da 1ª Zona Eleitoral
de São Paulo, requereu ao TER a impugnação
da candidatura vitoriosa do artista, contestando
seu grau de escolaridade. Aliás, este promotor,
em entrevista a um programa de TV, explicando
seu posicionamento, disse alto e bom som: “Houveram
muitos erros na ficha de inscrição
apresentada por Tiririca ao Tribunal Eleitoral”.
Ora, para um promotor que contesta, justamente,
os conhecimentos gramaticais de um homem humilde,
de pouca escolaridade, um erro crasso deste, é,
no mínimo, inconcebível. Precisaria
estudar mais.
.......................O
Juiz Eleitoral Aloísio Sérgio Rezende
Silveira, porém, não acatou a denúncia
do promotor sob o argumento de que “não
há justa causa para a ação
penal, uma vez que o TSE-SP, ao conceder o registro
da candidatura de Tiririca, entendeu não
haver qualquer causa de inelegibilidade do candidato,
inclusive no que se refere à instrução
mínima, ou seja, o não analfabetismo”.
.......................Muitas
pessoas acham que Tiririca não tem condições
de assumir uma cadeira na Câmara Federal,
alegando que um político deve ser preparado
para exercer a função. É
evidente que sim, mas, antes de tudo, deve ter
moral, dignidade, retidão de caráter,
enfim uma ficha limpa. Não quero dizer
com isso que Tiririca seja um bom representante
nosso no Congresso Nacional, mas querer anular
sua candidatura é uma injustiça.
Porque o TER-SP não analisou as suas condições
antes de conceder-lhe o registro? Essa, sim, seria
a decisão correta.
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...................................... .
....................................................BOAS
VINDAS À PRIMAVERA
.......................A
primavera chegou. Esperei-a durante meses, antecipando
a alegria de ver as flores multicores brotarem
com seu perfume inebriante. Mas como estou decepcionada!
Ela chegou, porém os dias continuam sem
o seu brilho. Chego a pensar que, como tudo muda
neste mundo, o calendário também
mudou. Estamos em plena estação
das flores, do verde, da vida, porém um
ar triste paira sobre nós, deixando nosso
espírito com um sentimento de inverno teimoso.
.......................O
que mais nos entristece é ver as nossas
praias com a água do mar turva, sem aquele
verde esplendoroso da primavera. O sol indeciso
até quer dar as caras, mas o tempo, com
nuvens esparsas, o impede de dar brilho à
vida.
.......................Afinal,
onde está a primavera plena? Eu me pergunto
como Machado de Assis: “Mudaria o Natal,
ou mudei eu?” Será que mudamos todos
nós, movidos pelo desencanto de ver o mundo
caminhar sob tantos absurdos?
.......................A
primavera é um estado de espírito,
que infelizmente turvou-se de nuvens estranhas.
Estranhas, porque neste período não
se vê a sua real presença a alegrar
os nossos dias. Nesta estação do
ano, tais nuvens deviam se recolher para dar lugar
a um céu azul extasiante. Sem sombra de
dúvida, houve uma mudança que de
certo tem uma causa. Primeiro, mudaram-se os tempos,
depois mudaram as pessoas. O ser humano, efetivamente,
não é mais o mesmo. Nunca se viu
em toda a existência tantas atrocidades,
barbaridades e desmandos cometidos por uma geração
que surgiu devagar, silenciosa, sorrateira, dissimulada
que, aos poucos, foi mostrando as garras, roubando
a paz e o sossego de todos nós. Hoje, mata-se
por tudo e por nada, com a tranquilidade de quem
saboreia um doce. E eu, com meu espírito
primaveril, me reporto à longínqua
infância e recordo como procediam as pessoas
antigamente, com consideração, gentileza
e solidariedade para com os outros, sempre prontas
para se ajudarem entre si, com o coração
cheio de amor.
.......................Diante
da nova realidade surgida neste jovem século,
eu fico a buscar a primavera da vida, com o orvalho
perolando as flores e umedecendo as manhãs,
coisas de um mundo primitivo feito de ingenuidade
telúrica; um mundo onde valia muito a voz
dos mais velhos ensinando-nos o bem e o caminho
certo. A primavera era uma festa de cores, quando
o cheiro das frutas maduras enchia de sabor o
nosso olfato e satisfazia o nosso paladar. A primavera
existia de fato, no período certo, com
toda a sua exuberância. Eu me lembro da
quietude da noite, do brilho das estrelas, dos
pirilampos pontilhando a escuridão e do
sono chegando devagarzinho, levando-me ao novo
amanhecer, às auroras frescas do raiar
do dia.
.......................Hoje,
muitos anos depois, a primavera já chega
sem o brilho de outras primaveras que coloriram
minha infância. Mudou a natureza ou mudei
eu? Pelo menos, eu me esforço para não
tirar o colorido da minha existência. É
inegável que no mundo atual mudou o sentido
de bondade, de dignidade, de honradez e honestidade,
o que prova a intolerância de parte da nova
geração ao praticar crimes hediondos,
como estupros de crianças inocentes, violência
contra mulheres indefesas, desmandos os mais vergonhosos
praticados por políticos inescrupulosos
e outras barbaridades.
Por tudo isso, quando falamos da bela estação,
observando o simulacro de uma primavera civilizada
na urbe moderna, nossos olhos se voltam para o
passado, um passado que nostalgicamente vive dentro
de nós.
.....................................
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...............................................................
.......................O
Jornal do Brasil, um dos mais antigos e importantes
órgãos da imprensa do país,
que circulou durante 119 anos, deixou de circular,
na sua versão impressa, na última
terça-feira, passando a ter uma versão
online.
.......................O
“JB” fez parte de um seletíssimo
grupo de quatro dos melhores jornais brasileiros:
Globo, Estado de São Paulo e Folha de São
Paulo. Pode-se dizer que ele serviu de modelo
para muitos jornais. Suas coberturas gozavam de
credibilidade e eram apreciadas pelos leitores,
servindo de orientação àqueles
que buscavam uma boa informação.
.......................Diz-se
que, com seu fechamento, a massa arrendada da
família Nascimento Brito será passada
adiante, ficando os seus direitos sobre a edição
impressa transferidos a possíveis interessados.
.......................Este
problema, que vem atingindo, há anos, o
cenário gráfico brasileiro, é
realmente lamentável. Há pouco mais
de um ano, outro importante jornal do país,
a Gazeta Mercantil, parou de circular por problemas
financeiros. Antes, já haviam fechado:
Correio da Manhã, Diário de Notícias,
Gazeta Esportiva, sem falar nas revistas Cruzeiro,
Manchete, Fatos & Fotos e outras mais. Agora
foi a vez do “JB”.
.......................A
notícia do seu fechamento deixou desoladas
centenas de profissionais do jornalismo, aqueles
que amam sua profissão e que sabem quanto
é importante um bom jornal circulando diariamente
e levando os fatos do Brasil e do Mundo ao conhecimento
do público ávido por notícias.
.......................Eu
frequentei, na década de 60, a redação
do “JB”, quando ainda funcionava na
Avenida Rio Branco, antes de ser transferida para
o gigantesco prédio da Avenida Brasil,
e tive o privilégio de ver ali, debruçados
sobre suas mesas, nomes importantes do jornalismo
carioca, como Joaquim Ferreira dos Santos, Alfredo
Herkenhoff que, na semana passada, lançou
o livro “Jornal do Brasil: memórias
de um secretário. Pautas e fontes”,
Alberto Dines, José Silveira, José
Nassif.
.......................Ao
entrar na velha redação do “JB”,
nos sentíamos tomados por um enorme fascínio;
era como se penetrássemos num templo sagrado,
onde podíamos nos deparar com os mais importantes
nomes do jornalismo carioca da época. Todas
as máquinas sendo usadas, o som das teclas
produziam uma sinfonia fantástica, penetrando
em nosso espírito como uma melodia. Como
o computador ainda não existia, era daquelas
máquinas rudimentares (Olivetti e Remington)
que saiam as notícias que eram lidas avidamente
pelos leitores, todas as manhãs.
.......................Na
verdade, o “JB” começou a acabar
desde que os herdeiros da Condessa Pereira Carneiro
e seu genro MF do Nascimento Brito, atolados em
dívidas, entregaram o destino do jornal
a certo empresário em troca de uma renda
mensal. Mas como eles continuaram responsáveis
pelo passivo de 2 milhões de reais, o negócio
não deu certo.
.......................Trabalhar
no “JB” era o grande sonho de todo
jornalista, pois, além dos ótimos
salários, o jornal da Condessa era um dos
de maior credibilidade, prestígio e independência.
.......................Com
o passar dos anos, o “JB” afogou-se
em dívidas e tornou-se uma sombra do que
fora nas décadas de 50, 60 e 70, perdendo
seu vigor e os talentosos jornalistas que enchiam
sua redação, valores que, por razões
óbvias, se bandearam para outros órgãos
de imprensa, sobretudo para o Globo.
.......................É
muito triste assistir à decadência
daquele que foi o mais importante jornal do Brasil,
hoje pedaços da história gloriosa
de um dos mais importantes órgãos
da imprensa brasileira.
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...........................................................
.......................Acabo
de ler o livro “Eu, aos pedaços”,
de Carlos Heitor Cony, que continua sendo o meu
autor preferido.
.......................Rico
em detalhes, narrativa vibrante, neste novo livro
de Cony o leitor observa o amor incondicional
do filho pelo pai, amor que cresce e caminha até
o fim de suas vidas.
.......................Nele,
Cony revela ainda sua simpatia pelo Carnaval e
pelas festas juninas, vividas com emoção
em sua infância, e sua vocação
para falar mal de qualquer assunto, apenas pelo
prazer de sustentar uma boa prosa.
.......................Ao
longo da obra, Cony narra vários fatos
engraçados e algumas confusões que
vivenciou em suas viagens pelo mundo e faz singelas
homenagens a amigos leais e a algumas personalidades
que o marcaram em seus 84 anos de existência,
além de se reportar à infância,
à família e à política.
.......................Classificando
seu livro-memória como “Uma forma
de cometer biografia”, Cony nos oferece,
em pequenos textos, narrativas nas quais descreve
pessoas e compartilha pensamentos que moldaram
a sua trajetória. São relatos de
fatos reais, pincelados de ficção
e poesia.
.......................Apesar
de ter confessado achar que a biografia “é
caminho fácil para a autotraição”,
o autor já demonstrou gostar de escrevê-la.
Fez isso em 1995 com “Quase memória”,
como o próprio título diz. Agora,
ao lançar “Eu, aos pedaços”,
escrito a pedido da editora Leya, Cony afirma:
“Memória é mais livre, sem
compromisso cronológico e permite um pouco
de ficção”.
.......................Neste
seu livro, Cony percorre mais de sete décadas
da própria trajetória e o divide
em blocos, escritos belamente, com clareza e simplicidade,
bem ao gosto do leitor, como, aliás, acontece
com todos os seus livros, uma feliz particularidade
de seu estilo. Os primeiros textos falam de sua
infância e de seus encantos. Os seguintes
são dedicados às inúmeras
viagens que fez pelo mundo, à família,
ao cotidiano, a personalidades, à política
e à época do Golpe Militar, quando
frequentou as prisões da ditadura, período
sobre o qual faz comoventes reflexões.
Um módulo à parte é o que
fala de sua prática do jornalismo, exercido
em 50 anos de trajetória, nos quais passou
por redações dos mais importantes
órgãos da imprensa nacional, como
revistas Manchete e Veja, jornais Correio da Manhã
e Gazeta de Notícias, onde deu os primeiros
passos.
.......................Relembrando
este estágio de sua vida, Cony confessa
ter saudade de tudo. “Mesmo dos momentos
amargos”, garante. E poeticamente afirma:
“Tenho saudades não de fatos em si,
mas de mim mesmo”.
.......................Membro
da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor
Cony já recebeu vários prêmios
literários e se consagrou como um dos mais
importantes escritores brasileiros. Em sua vasta
obra, parece não poupar nenhum momento
vivido, nenhuma emoção, seja em
seus romances, seja em suas crônicas publicadas
em vários jornais do país, transformando
seus escritos em verdadeiras poesias em forma
de prosa.
.......................“Eu,
aos pedaços” é, portanto,
a reunião de 50 anos de trabalho como jornalista,
com narrativas de viagens e coberturas importantes,
além de histórias de família
– afinal, seu pai, o também escritor
Ernesto Cony Filho foi o responsável por
sua escolha profissional. Aliás, é
sobre o pai que Cony se reporta em vários
textos de sua obra, numa prova cabal da grande
admiração que nutria por ele.
.......................Esta
nova obra de Cony é um excelente livro,
que recomendo na certeza de que seus primorosos
textos irão agradar e prender a atenção
do leitor até a última linha.
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OH! PAJUÇARA
Oh!
Pajuçara na encosta rasa,
Beleza extasiante em frente ao mar.
Dourada pelo sol que arde em brasa,
Ilumina co’amor o meu olhar.
Suas ondas se esbatem a espumar
Sobre as águas vestidas de dourado.
Jóia rara, esmeralda a flamejar,
Enleando meu eu apaixonado.
Sua grandeza me encanta e me seduz,
Domina Maceió cheia de luz,
Na imensidão de uma beleza rara...
Cingindo com esplendor o horizonte,
Tardes ardentes a perolar a fonte
Do amor qu’existe em mim, oh! Pajuçara.
Maceió, 11/07/2010
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.......................Ontem
me pus a relacionar as palavras mais bonitas e
significativas da língua portuguesa. Comecei
por mar, música, flor, saudade, felicidade,
amor, todas com significado profundamente humano,
pois fazem parte dos nossos sonhos, dos nossos
devaneios, dos nossos delírios. Mas cheguei
à conclusão de que a mais bonita
e mais forte é, sem dúvida, liberdade,
capaz de levar o homem à luta e à
morte, tornando-o herói, escrevendo as
páginas mais bonitas da nossa história.
.......................Nascida
em Pernambuco e conhecedora de sua história,
eu sei de muitos conterrâneos que viveram
sonhos de liberdade, lutando por seus ideais,
dando a própria vida por eles, derramando
pelas ruas úmidas do Recife o seu valoroso
sangue.
.......................Eu
mesma tenho um motivo muito especial para eleger
a liberdade a palavra mais importante dentre todas.
Explico: nasci na cidade de Goiana, interior de
Pernambuco, tendo a honra de ter nascido na casa
em que nasceu Joaquim Nunes Machado, um casarão
imponente situado na antiga Rua da Baixinha. Nunes
Machado, com seu espírito revolucionário,
foi o herói da revolução
Praieira, revolta de caráter liberal e
federalista que eclodiu em 7 de novembro de 1848,
devido ao veto dos senadores conservadores à
indicação do liberal Antônio
Chinchorro da Gama para uma cadeira no senado,
o que provocou a revolta de grupos políticos
liberais de Pernambuco. Além disso, os
pernambucanos também estavam insatisfeitos
com a falta de autonomia política das províncias
e com a concentração de poder nas
mãos da monarquia.
.......................Nunes
Machado foi, portanto, o primeiro herói
que aprendi a enaltecer e admirar, por sua coragem
e por seu idealismo. Ele morreu gloriosamente
em combate, em defesa de seus ideais, daquilo
em que acreditava, que compreendia exatamente
a liberdade.
.......................No
entanto, a liberdade, apesar de ser a mais significativa
das palavras, é preciso considerar que
o homem, ao resolver abraçar qualquer ideologia,
professar qualquer religião, exercer qualquer
profissão, deve tomar cuidado para não
ferir os direitos dos outros. Saber que uma idéia
deve ser combatida com outra idéia e não
com a força; saber que tudo, sob todos
os aspectos, tem suas limitações,
inclusive a liberdade, que não deve ser
confundida com libertinagem, o que leva o homem,
muitas vezes, aos excessos e às atitudes
condenáveis.
.......................Mas,
afinal, o que é a liberdade? Na visão
do escritor, ensaísta e filósofo
francês Voltaire, a liberdade é nada
mais que o “potencial de agir”; significa
a independência do ser humano. De forma
positiva, liberdade é a autonomia e a espontaneidade
de um sujeito racional. Não se trata de
um conceito abstrato. Tomemos como exemplo o também
filósofo francês Jean-Paul Sartre
que buscou em seus escritos atribuir esta qualidade
ao ser humano livre. Na equação
entre Liberdade e Vontade observa-se que ser livre
é a força-motriz, o instrumento
para a liberação do homem.
.......................O
homem tem o direito de fazer tudo o que quiser
– certo – desde que suas atitudes
não vão de encontro à lei,
à moral e aos bons costumes. É claro
que o homem jamais deverá ter sua liberdade
cerceada e policiada no que diz respeito ao seu
direito de ir e vir, à sua fé religiosa,
à sua ideologia política, às
opções escolhidas, mas tudo deve
ser feito dentro da lei. A censura é arma
abominável dos prepotentes que querem impingir
sempre sua vontade pela força do seu poder
e seu prestígio.
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..................................................AGORA,
É ESPERAR POR 2014
.....................Fiquei
triste com a desclassificação da
Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
Por mim e pela desolação de todos
os brasileiros. Foi um momento de tristeza em
que nosso coração patriota quase
parou de tanta agonia. Agora, os “analistas”
de plantão se arvoram em donos da verdade
e culpam o Dunga por sua teimosia em não
escalar esse ou aquele jogador, buscando algo
que justifique a nossa derrota. Isso acontece
sempre que a Seleção Brasileira
não vence um mundial. É muito fácil
ficar de fora palpitando o que deve ou não
ser feito, criticando os que se encontram à
frente de um time, treinando-o e determinando
o que ele deve fazer. Mas vamos nos colocar no
lugar de um treinador, com a responsabilidade
que tem, com toda a carga de pressão recaindo
sobre sua cabeça, com todas as cobranças.
É complicado! Eu prefiro não apontar
culpados, em campo ou fora dele, mas aceitar a
derrota com serenidade, de cabeça erguida,
e reverenciar a grande paixão brasileira.
Houve falhas de nossa equipe? Houve. Mas agora
não adianta chorar o leite derramado.
.....................Admito
que é hora de se efetuarem mudanças
profundas, a começar pelos dirigentes.
Fazer uma reciclagem, escolhendo sangue novo e
novos talentos para compor nossa Seleção.
.....................A
Seleção Brasileira é amada
e admirada por milhões de torcedores, não
só no Brasil, como no mundo todo. Basta
ver o noticiário. Aeroportos do mundo inteiro
pararam para ver, em telões, o jogo Brasil
x Holanda, o mesmo que nos trouxe a triste surpresa:
o Brasil eliminado da Copa de 2010. E o inacreditável:
num jogo em que ele foi melhor nos primeiros 45
minutos, dominando a Holanda e vencendo o primeiro
tempo até com certa facilidade. No segundo
tempo, porém, parece que um apagão
atingiu nossos jogadores na etapa decisiva. Pois,
o que vimos foi uma equipe nervosa, desequilibrada.
Um jogo não se ganha somente com os pés,
mas também com a cabeça. Todavia,
as cabeças dos nossos atletas pareciam
estar aéreas. E foi justamente esse desequilíbrio
emocional que mandou nossa Seleção
para casa mais cedo, enquanto a Holanda continuou
jogando segura, não se desestabilizando
nem quando o Robinho deu um gol ainda nos 9 minutos
do primeiro tempo, gol que alimentou nossas esperanças.
.....................Desde
o início do jogo dava para ver que a Holanda
atacava bem, embora “pipocando” com
certa frequência. Era o Brasil encostar
e os holandeses “pipocavam”, isto
é, atingiam nossos atletas e caíam
como se tivessem sofrido falta violenta. A tática
de irritar os jogadores brasileiros começou
a dar certo, e foi aí que a Holanda partiu
para cima. O que aconteceu dali para frente foi
um verdadeiro apagão, o desespero que nos
tirou da Copa.
.....................Como
já disse acima, não pretendo apontar
culpados. A derrota para a Holanda doeu, claro
que doeu. Doeu mais porque nós víamos
que os jogadores sofriam tanto quanto nós.
A derrota em Port Elizabeth aconteceu porque o
adversário era muito bom e soube aproveitar
as falhas da nossa defesa.
.....................A
Argentina também caiu. E de forma muito
pior: batida pela Alemanha por 4x0, uma verdadeira
goleada. Mas passado o primeiro impacto da derrota,
ela certamente voltará ao Mundial de 2014
com a cabeça erguida e a mesma garra que
a caracteriza.
Então, Brasil, bola pra frente. Agora,
é pensar em 2014, quando será o
Brasil quem sediará a Copa do Mundo, o
que torna muito maior a responsabilidade da Seleção
canarinho.
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